Esse blog é uma homenagem às minhas avós, às avós do meu filho e a todas as mulheres que tem a doce experiência de serem avós. Acredito que no âmbito familiar poucas coisas são tão saudáveis quanto o estar na casa da vovó, desfutar de sua companhia, de seus quitutes e fazer descobertas diárias sobre o mistério que envolve a distãncia entre as coisas do tempo da vovó e a nossa vida cotidiana, principalmente quando somos crianças.

Seguidores

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Maria Cheira Pó

UM SÁBADO AZUL, blogagem coletiva proposta http://tinadiassonharerealizar.blogspot.com/

Flick, Renata Sá.
Logo cedo ela surgiu descendo o caminho do curral, com passos largos e cabeça erguida. Trazia debaixo do braço direito uma galinha vistosa e bastante inquieta. No ombro esquerdo tinha dependurada uma capanga grande, com a alça amarrada em nó e bastante empoeirada. Cheia de poeira também estava suas precatas e a barra da saia muito comprida, como só ela gosta de usar. Era Maria cheira pó, chegando para visitar vovó. Estávamos sentados no banco do alpendre. Quando a avistamos vovó logo caminhou para o portão para recebê-la.
- Dia, Teteca!
- Bom dia, Maria! Como vai?
- Eu vou indo. Sabe como é, na nossa idade é uma dor aqui, uma queimação ali e Deus é que dá força pra gente ir vivendo.
- Vamos entrar. Senta e descansa um pouquinho. Quer uma água?
- Aceito uma caneca d'água sim.
Quando Zefa trouxe a água,  Maria percebeu que estava na sala com a galinha debaixo do braço. Meio sem graça, entregou a bichinha para vovó e disse que era um presente. Tirou de dentro da capanga algumas dezenas de ovos azuis, dizendo que juntou para trazer com a galinha e daí, só faltava vovó colocar para chocar.
Essa galinha que bota ovos azuis é rara por aqui, todos nós queríamos ver os ovos e custamos a esperar Maria ir embora. É que vovó não gosta de criança  fuxicando com as visitas e muito menos bisbilhotando o que ela ganha das amigas.
Depois de muito conversar, Maria tomou café com biscoitos e broa. Quando levantou-se para ir embora, antes de se despedir, tirou do bolso da saia uma latinha de pó, abriu, mergulhou as pontas dos dedos e aspirou nariz a dentro. Deu alguns espirros. E nós não conseguimos ficar sem dar umas boas risadas...

4 comentários:

Chica disse...

Lindo causo azul...Cada uma,né? beijos,chica

Tina disse...

ADOREI!!!!!
Como sempre, suas postagens são deliciosas!
bjs
Tina (MEU CANTINHO NA ROÇA)

Rose disse...

Viajei!!!!
Pó de rapé...lembro-me bem do cheiro (e expirros) que dava qdo via a latinha na mesa da D.Sinhá...srrsrsrsr
Adorei isso aqui, sá!

remall disse...

Não é causo não.
Tenho galinha que bota ovo azul,
e também tenho rapé, e tenho patos marrecos, gansos, fogão de lenha, uns cachorros doidos,
e sempre um cafezinho quentinho com biscoito de goma ou frito para receber quem se aventura.
já tô agarrada nos seus blogs.