Esse blog é uma homenagem às minhas avós, às avós do meu filho e a todas as mulheres que tem a doce experiência de serem avós. Acredito que no âmbito familiar poucas coisas são tão saudáveis quanto o estar na casa da vovó, desfutar de sua companhia, de seus quitutes e fazer descobertas diárias sobre o mistério que envolve a distãncia entre as coisas do tempo da vovó e a nossa vida cotidiana, principalmente quando somos crianças.

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sábado, 12 de março de 2011

Esmola para São José

 Imagem de http://catequesesaojose.blogspot.com/2010_03_01_archive.html

É costume aqui na região, que os membros da irmandade tirem esmolas para a festa do santo. Isso acontece nos dias que antecedem o grande dia festivo, durante a novena. Este mês o santo que reúne o maior número de devotos é São José. Operário, porque trabalhava de carpinteiro e então é rogado pelos trabalhadores; esposo de Maria e pai adotivo de Jesus, portanto, pai de família exemplar e venerado pelos esposos.
Aqui é mais conhecido como São  José do Barreiro Velho. Conta os antigos, que morava lá Barreiro Velho um homem conhecido como Zeca do Pote, por ser ele um fazedor de potes de barro. Certa época, ele foi acometido de um mal nas pernas, devido aos movimentos constantes de amassar o barro com os pés para fazer suas artes. Pegou um tipo de bexiga que comia-lhe a pele de maneira assustadora.
As pessoas se afastaram dele por causa do mal cheiro nas bexigas, exceto o sacristão, enviado semanalmente pelo padre para ler passagens da Bíblia e entregar-lhe a comunhão.
Foi então que o tal sacristão, cansado de ter que fazer a penitência que lh incumbira o padre, sugeriu ao Zeca do Pote que fizesse uma promessa para o seu santo de devoção. Como não tinha confiança em nenhum santo em especial, o homem resolveu pedir ajuda ao que tinha o mesmo nome que o seu, José.
Batata! Foi rezar e conseguir o milagre. Ficou livre das bexigas e voltou ao trabalho. Uma vez recuperado tratou logo de cumprir a promessa que havia feito. Construiu uma capela em homenagem a São José. A história se espalhou e o povo começou a fazer romarias para lá.
O primeiro nome de devoção do santo foi  São José do Barreiro, porque naquele tempo o arraial chamava-se apenas Barreiro, mas com a descoberta de um novo barreiro pelos fabricantes de objetos de barro, o povo foi logo chamando o lugar de Barreiro Novo e, o local onde está a capela de São José  virou Barreiro Velho.
Então, como eu ia dizendo, hoje vieram tirar as esmolas de São José. Um grupo de mais ou menos umas  trinta pessoas que carregando a imagem do santo e que certamente iria aumentar no percurso. Eles entram nas casas, rezam e recebem as doações dos proprietários. Pode ser dinheiro, prendas para leilão ou quitandas para as barraquinhas. As doações seguem na carroça e o povo a pé, debaixo do sol quente, levantando a poeira vermelha da estrada.
Vovó, como é muito generosa, dá um pouquinho de tudo. Dinheiro, galinhas, ovos, doces e desta vez até um leitão da porca Rosa.  Um daqueles que os arrematadores vão disputar centavo por centavo... 





Obs: O poema é de Zé Laurentino, poeta e cordelista paraibano. A narração é de Rolando Boldrin.

12 comentários:

Anne Lieri disse...

Anabela,que beleza de história!Essas tradições são tão legais!Tornam o povo mais unido tendo uma história em comum!Adorei,mas o poema não consegui ver...não aparece nadinha...bjs,

chica disse...

Isso é coisa bem do interiro mesmo.Que legal! beijos,chica

Emília Pinto e Hermínia Lopes disse...

Adoro essas histórias e tradições. Aqui nesse dia comemora-se o dia dos pais. No Brasil é em Agosto e nunca entendi o porquê. Acho que tem lógica ser no dia de S. José, poi ele foi o pai de Jesus. Um beijinho, Anabela e obrigada pelas lições de historia
Emilia

Marta Melo disse...

Obrigado pela visita!Adorei o seu blog e a história. Muito Linda.Bjs

Alvaro Oliveira disse...

Olá Anabela

A preservação de tradições, usos e costumes é
a mais bela riqueza de uma cultura. Adorei.
Beijinhos
Alvaro

Sonia Guzzi disse...

Olá querida!
Adorei seu post e já reservei sementes de fé para doação. Será que êle benze e devolve? Assim posso garantir os meus sonhos, não é? rsrs
Bjs,linda.
Em divina amizade.
Sonia Guzzi

msgteresa disse...

Oi,Anabela!
Uma delícia, essas estórias do interior! E são essas mesmas estórias que mantêm as tradições e trazem o sentimento de união de um povo. Fiquei lendo o seu bonito texto e me emocionei ao imaginar as pessoas simples que têm na alma a beleza da ingenuidade e ao mesmo tempo,a força da fé... Com certeza, você descreveu um pouco da essência do nosso povo brasileiro,gentil,pacato e repleto de religiosidade... Essa é uma daquelas estórias, que com certeza, fazem parte do coração do nosso Brasil!
Parabéns,querida Anabela, pelo seu belo e terno texto!
Beijo no teu coração mineiro!
Teresa
("Se essa lua fosse minha")

Suzete Retti disse...

Oi Anabela,
fiquei muito feliz por vc passar na minha casa para pegar a esmola de São José, vim rapidinho trazer minha esmola em forma de oração por você e sua familia, pois me senti abençoada com a visita.Bjs.

Elaine Canha disse...

Oi
Bela história. Como são lindas as tradições de nosso povo no mesmo tanto que nem sempre são valorizadas.

beijos

heloisa de mesquita inoue disse...

Lindo! Esse Rolando Boldrin é demais! Tudo na voz dele faz um diferença! Olha, eu pensei que vc queria ou quer esmola para São José?!?! Caso queira, é só falar para onde posso enviar, tá? Bom fim de semana e boa festa de São José!

heloisa de mesquita inoue disse...

Oi!? Ah, tá... agora compreendi a moral da estoria! Beijos! Bom domingo!

RENATA RZ disse...

que legal esta tradição né..

coisas do interior..


viva São José!

beijinhos verdes