Esse blog é uma homenagem às minhas avós, às avós do meu filho e a todas as mulheres que tem a doce experiência de serem avós. Acredito que no âmbito familiar poucas coisas são tão saudáveis quanto o estar na casa da vovó, desfutar de sua companhia, de seus quitutes e fazer descobertas diárias sobre o mistério que envolve a distãncia entre as coisas do tempo da vovó e a nossa vida cotidiana, principalmente quando somos crianças.

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terça-feira, 15 de novembro de 2011

Dia de eleição


O sol ainda nem mostrava os primeiros raios e já podia-se ouvir vozes de quem passava na estrada rumo à cidade. Hoje é dia de festa, sem música e comida gostosa, sem convidados e com muitos obrigados. Vem gente de toda a redondeza, alguns insatisfeitos, outros orgulhosos, esbanjando vaidade no cheiro do perfume, na  bela roupa de domingo... É dia de rever os parentes, de encontrar os amigos, de saber da vida das comadres e dos compadres, de contar as novidades lá roça e de conhecer as mudanças ocorridas na cidade.
Os adultos aqui da chácara  levantaram-se bem cedo e foram se juntar ao povo da cidade. É dia de eleição. Vão escolher o novo prefeito e uma meia dúzia de vereadores para tomar conta da cidade. Tem gente que diz que político é tudo farinha do mesmo saco, eu não sei se é bem assim, porque falam isso mas vivem defendendo cada um o seu candidato.
Vovó, pela idade, já não precisa mais votar, porém faz questão de comparecer e se orgulha ao contar que deu seu voto para os Lana. Lana Avô é candidato a prefeito; Lana Filho e Lana Neto querem ser vereadores de novo!..   
A novidade desse ano é uma candidata apoiada pelos Faria, uma tal de Donana Pimenta, que  o povo daqui não conhece, mas que deve ser eleita por ter apoio dos Faria, gente de confiança para a  maioria da população.
Passamos a manhã no portão da chácara observando o movimento.Às vezes alguém parava e perguntava por vovó, como ela não estava nos pediam um  copo d’água e seguiam em frente. Até que apareceu tia Ana, nossa tia avó, com sua saia estampada e bem rodada marcando a cintura. Ela sempre é a primeira na fila para votar. Gosta de ir cedo e depois sai visitando os parentes aqui e ali, sempre contando casos e fazendo a gente rir.
Quando ela se esquece de um trecho dos casos, fica toda enrolada, dá uma gargalhada e diz assim:
- ... ah! É o cumé que chama!
E com a chegada dela entramos para dentro de casa, porque ela ia esperar por vovó e pelo almoço que Zefa estava preparando para nós.

Um comentário:

Emília Pinto e Hermínia Lopes disse...

É assim nos meios pequenos onde qualquer ato fora do comum é aproveitado para festa Era assim na minha aldeia quando eu era criança; hoje já assim não é, pois os tempos mudaram e o desenvolvimento também lá chegou. Hoje já há cafés, restaurante e outros lugares onde o povo se pode divertir. Mas é interessante ver que é assim em qualquer país, em qualquer lugar mais remoto e distante dos grandes centros.Um beijinho, Anabela e obrigada pela partilha.
Emília