Esse blog é uma homenagem às minhas avós, às avós do meu filho e a todas as mulheres que tem a doce experiência de serem avós. Acredito que no âmbito familiar poucas coisas são tão saudáveis quanto o estar na casa da vovó, desfutar de sua companhia, de seus quitutes e fazer descobertas diárias sobre o mistério que envolve a distãncia entre as coisas do tempo da vovó e a nossa vida cotidiana, principalmente quando somos crianças.

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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Pica Chão, faz qualquer negócio!



Sempre solitário em cima de seu alazão. Assim vive o caminheiro João da Cruz, mais conhecido como Pica Chão, pelas infinitas horas abrindo picadas no chão do sertão. É o tipo pau para toda obra. Leva recados, mercadorias e  quem quiser subir na sua garupa. Vai a qualquer parte da redondeza e em troca recebe o que o freguês puder pagar. Galinhas, leitões, farinha, dinheiro, ovos, frutas frescas, verduras, roupas usadas, feixe de lenha e assim vai a lista que enche sua bruaca e serve de moeda no comércio que faz por onde passa. Pica Chão, faz qualquer negócio!
Vovó está ansiosa por sua chegada. Ela vai mandar entregar uma daquelas jarras antigas que ela guarda no baú, lá na fazenda Barra Limpa, pelas bandas do Córrego Fundo. Zé do gole está doente e sua mulher, Zefa de Serafina de Zé Gato, precisa dela para facilitar os cuidados com o moribundo que não sai mais da cama. Essa gente joga fora tudo que é antigo e quando precisa ...
Pica Chão vai trazer também uma encomenda para Vovó. Vem lá de São Gonçalo de Cima, da casa de Terezão, primo distante de meu falecido avô. Terezão parece ser apelido de mulher, uma daquelas bem grande e gorda, mas nesse caso não é.  Terezão na verdade é  apelido, pois o nome dele é Arlindo Gonçalves. Dizem que o apelido veio pelo fato de que quando ele se casou fazia questão de ajudar a sua mulher nas tarefas da casa e os outros homens da família achavam um absurdo! Como sua mulher chama-se Tereza, deram a ele esse apelido.
Enquanto esperamos Pica chão chegar, vou aproveitar para dar um jeito de convencer Vovó a me deixar trocar com ele duas galinhas garninzé por um queijo serrano bem grande e um pote de goiabada cascão. Delícia!!!

2 comentários:

Nita disse...

Olá:

Este blog é gostoso gostei muito.

Um beijo.

Nita

Tina disse...

Oi amiga
A casa da vovó com certeza fica por entre estes cantinhos de Minas Gerais...as histórias são tão parecidas com as nossas aqui!
E outra coisa interessante, aqui tambem temos , fazenda Barra limpa, o Córrego fundo que é chamado de "córgo fundo", temos não o Zé Gato, mas o João Gato,temos o São Gonçalo de cima, e o de baixo,e não temos o Terezão, mas sim a Terezona rsrsrs
Viu quanta coisa igual? o Pica Chão, não temos não, mas antigamente tínhamos o "Gerardo", que fazia o mesmo serviço.
Por isso adoro vir aqui na casa da vovó...temos muitas coisas semelhantes.
bjs
Tina (MEU CANTINHO NA ROÇA)